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Este projeto tenta ligar a dinâmica geológica e humana que caracteriza a sociedade açoriana em geral. Por um lado, temos o vulcão como força destructiva da Natureza, capaz de aterrorizar e destruir qualquer ser humano. E por outro lado, a vida continua, as pessoas juntam-se e adaptam-se a essa nova realidade, e acabam por apostar na entre-ajuda que a sobrevivência exige, e na esperança que a emigração representa. Nas palavras do Vitorino Nemésio sobre açorianidade:

"Para nós geografia vale outro tanto como a história.
Como as sereias temos uma dupla natureza: somos de carne e pedra.
Os nossos ossos mergulham no mar."

Estou muito interessada em perceber melhor a psíque açoriana que, a meu ver, mistura fatalismo e medos terríveis, com uma capacidade incrível para sentir esperança, felicidade e calor humano. Acho que esta psíque resulta directamente da condição física destas ilhas vulcânicas – os perigos avassaladores e sempre-presentes (terramotos, erupções e explosões) que criaram estas ilhas e as suas incríveis belezas, e o vasto e mutável oceano. Ao ver as imagens filmadas por minha mãe e meu tio durante a nossa visita ao Pico em 1957-58 (ano que coincidiu com a actividade do Vulcão) não posso deixar de pensar que, para a Natureza, a destruição é criação, a morte, vida.

-Marlene Simas Angeja, 2009